"As nossas manifestações, que naturalmente vão continuar, visam corrigir o que chamamos de irregularidades, para garantir a transparência do processo eleitoral. A auditoria ao Ficheiro de Cidadãos Maiores [FICM] tem sido uma das nossas exigências", disse, em declarações à Lusa, o porta-voz da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA).
Angola realiza eleições gerais a 23 de Agosto próximo, que servem para definir a nova composição da Assembleia Nacional e para eleger, por via indirecta, o sucessor de José Eduardo dos Santos, Presidente da República, que não se recandidata ao cargo ao fim de 38 anos no poder.
Desde o final do processo de registo eleitoral, a 31 de Março, que a UNITA reclama uma auditoria independente ao FICM, que conta com 9.317.294 eleitores em condições de votar, após registo de novos eleitores - que completam 18 anos em 2017 ou que não estavam ainda inscritos - e prova de vida dos que já estavam registados para as eleições de 2012.
O maior partido da oposição angolana refere que o número de eleitores inscritos no FICM é inferior ao número de eleitores de 2012, que "muitos eleitores" fizeram prova de vida e não receberam o recibo, "podendo ter sido excluídos" das listas, além de terem sido detectadas situações de registos duplos de eleitores.
Ao fim de várias semanas, a CNE acabou por aceder à exigência da UNITA e aprovou, em reunião extraordinária do plenário que decorreu no sábado, em Luanda, a realização da auditoria ao FICM.
Segundo a porta-voz da CNE, Júlia Ferreira, o plenário decidiu que deve ser criada uma comissão de avaliação para "criar as condições para elaboração do concurso público", para escolher a empresa que fará auditoria ao FICM e a respectiva solução tecnológica "no prazo 30 dias antes da data da realização das eleições gerais".
"Tem de se fazer e quanto mais cedo melhor. É para a transparência do processo eleitoral. O que estamos a fazer agora é o que deveríamos ter feito nos processos eleitorais anteriores. Queremos efectivamente que haja transparência nas eleições", apontou, por sua vez, o porta-voz da UNITA, Alcides Sakala.
A UNITA realizou no sábado manifestações em todas as províncias angolanas, exigindo transparência no processo eleitoral em curso, protesto que também juntou milhares de pessoas no centro de Luanda.
"Há um conjunto de situações que têm de ser corrigidas para garantir a lisura e a transparência do próprio processo", concluiu o porta-voz do partido.
Concorrem às eleições de 23 de Agosto o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), a UNITA, Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), Partido de Renovação Social (PRS), Aliança Patriótica Angolana (APN) e da Coligação Ampla de Salvação de Angola - Coligação Eleitoral (CASA-CE), cujas listas finais de candidatos validadas pelo Tribunal Constitucional são entregues hoje à CNE.
Lusa


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